Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

O Véu de Verónica - O rosto de Jesus.


A uma conferência de imprensa em Roma neste verão, anunciara um pesquisador jesuíta, o alemão Padre Heinrich Pfeiffer, que este tinha localizado "o Véu de Verônica" - a peça de pano que, de acordo com a tradição, Verónica enxugara a face de Jesus em seu caminho para o Calvário.

Pfeiffer, Professor de História da Arte Cristã na Universidade gregoriana Pontifical em Roma, diz ter localizado o véu em um pequeno mosteiro de frades capuchinos, o Santuário da Face Sagrada, em Manoppello, uma pequena cidade na região de Abruzzo, aproximadamente a 150 milhas de Roma, nas montanhas apeninas italianas.

"Após 13 anos de estudo, me convenço de que este é o autêntico Véu de Verónica". Pfeiffer, o aconselhador oficial da Comissão Papal para a Herança Cultural da Igreja assim disse, durante a conferência a 31 de maio.

O Vaticano não fez nenhum comentário sobre a reivindicação de Pfeiffer. (Sua conclusão é um pouco controversa, desde que o Véu de Verônica deveria estar oficialmente ainda dentro da Basílica de São Pedro. Lá, ao lado do altar principal, o visitante ancontrará uma estátua de Verônica e uma inscrição latina onde se diz que o véu está preservado dentro).

Porém, alguns estudiosos britânicos reagiram com ceticismo. "A Universidade gregoriana é bastante respeitável, mas penso que a reivindicação do véu é totalmente absurda," Keith Ward, Professor Reitor de Teologia em Oxford, afirma. "Quase todo mundo crê que trata-se de uma lenda. Eu o colocaria ao mesmo nível de se ver a face de Maomé em uma batata"*.

Professor de Cambridge em Teologia, Lionel Wickham, foi mais positivo. "Pfeiffer pode ter achado um objeto que foi venerado na Idade Média - eu não descartaria isto," diz. "Mas se data a eventos mais antigos, isto já é outra questão".

"Dentro do Vaticano" visitou Manoppello para observar o véu e tentar descobrir mais.
Manoppello é uma cidade antiga, suas origens datando ao período de antes de Cristo. A primeira comunidade cristã foi formada pelos beneditinos no início da Idade Média. A cidade está distante das estradas principais e sofria freqüentes terremotos.

Nós fomos introduzidos pelo Irmão Germano, o frade atendente do Santuário.

Juntos entramos numa igreja pequena, relativamente moderna. Imediatamente notamos, sobre o altar, um relicário de um ostensório prateado. Ao centro do ostensório havia um linho transparente branco medindo 6.5 por 9.5 polegadas (17 por 24 cm).

De longe o véu é pouco visível e é tão fino que se pode ver facilmente o que está por detrás. Padre Germano diz que o véu é "tão etéreo que é possível se ler um jornal do princípio ao fim por trás deste".

Ao que se vai aproximando do altar, o material começa a aparecer mais colorido e a face de um homem parecendo sofrer começa a ficar visível.

A face é a de um jovem homem que sofrera grandemente. Ele parece cansado. As marcas de golpe em seu corpo são claras: contusões e outras cicatrizes na frente, sangue coagulado no nariz, uma pupila ligeiramente dilatada. Ainda, apesar dos sinais evidentes de sofrimento e dor, o olhar é o de um homem sereno que suporta seu sofrimento com paciência.

"O facto de a face aparecer e desaparecer de acordo com de onde a luz vem foi considerado um milagre na Idade Média" nota Pfeiffer. "Isto não é uma pintura. Nós não sabemos como o véu foi tingido ou como a imagem foi impressa. Só podemos dizer que tem cor de sangue".

Outro detalhe: a imagem aparece claramente em ambos os lados do pano, como num slide fotográfico.

Padre Germano é cauteloso. Ele não quer publicidade. Apenas venera a imagem com devoção e cuidado amorosos. E pesquisa para entender e saber mais sobre sua história. Qualquer um sente que lhe convence que se trata realmente do Véu de Verônica.

A História
De acordo com uma antiga lenda no apócrifo Atos de Pilatos (cerca do 6º século), uma santa mulher cujo nome era Verônica secou a face de Cristo no caminho para o Calvário. O resultado: a imagem de Sua face impressa sobre o pano.

Muitos críticos questionaram o nome de Verônica, que parece ser uma deformação léxica do grego e latim para "vera icona" ("ícone verdadeiro" ou "imagem autêntica"), usado na Idade Média para as imagens milagrosas de Cristo.

A história do véu de Verônica persistiu, e é parte da devoção católica popular.
Já nos anos 300, haviam documentos que falavam da existência do véu mas só na Idade Média era estritamente ligado à Paixão de Jesus Cristo.

Na ocasião do primeiro Ano Santo em 1300, o Véu de Verônica foi exibido publicamente e se tornou uma das "Mirabilia Urbis" ("maravilhas da Cidade") para os peregrinos que visitavam Roma.

Numerosas descrições destacam a boa qualidade do material do véu - tão fino que uma brisa pode passar por este - com uma imagem estampada em ambos os lados de uma pessoa ainda viva com olhos bem abertos, uma face cheia de dor e com evidentes manchas de sangue. O grande poeta italiano, Dante Alighieri, menciona o véu na Divina Comédia (Paradiso, Canto XXXI, versos 103-111).

Pfeiffer aborda que o Véu de Verônica fora roubado do Vaticano nos anos que seguem ao Ano Santo de 1600, quando São Pedro estava em sua caótica fase de ser reconstruída, e nota que o véu aparecera em Manoppello naquele mesmo momento.

Recentes pesquisas históricas mostram que, em 1608, durante a restauração de São Pedro sob o papado de Paulo V (1605-1621), a capela onde o Véu de Verônica fora mantido foi demolida.
Pfeiffer pensa ser provável que naquela ocasião o véu tenha sido roubado e nota que o Papa Paulo V em 1616 proibiu cópias do Véu de Verônica não autorizadas por um cânon da Basílica de São Pedro. Ele argumenta que isto sugere que a preciosa relíquia não estava mais no Vaticano**.
De facto, todas as cópias feitas depois deste período mostravam a imagem de Cristo com os olhos fechados, entretanto, imagens anteriores mostram um Cristo de olhos abertos. Urbano VIII (o Papa de 1623 a 1644) não só proibiu reproduções do véu de Verônica, mas também ordenou destruir todas as cópias existentes. Pfeiffer discute que esta acção também sugeriria que o véu estivesse perdido ou roubado.

Em 1618, o arquivista do Vaticano Giacomo Grimaldi fez uma lista precisa dos objetos antigos contidos em São Pedro.

Em sua lista: o relicário que contém o Véu de Verônica. Mas, escreve, o vidro de cristal do relicário estava "quebrado". (nota Pfeiffer que o véu em Manoppello tem, em sua extremidade de fundo, um pequeno pedaço de vidro.)

Pfeiffer não tem nenhuma teoria sobre como o véu veio parar em Manoppello.
De acordo com um relato escrito em 1646 pelo frade capuchino Donato da Bomba, em 1608 Marzia Leonelli, para tirar seu marido - um soldado - da prisão, vendera o Véu de Verônica que tinha recebido como dote, por 400 escudos (uma antiga unidade de moeda corrente italiana) para Donato Antonio de Fabritiis.

Como a relíquia não estava em boa condição, depois de 30 anos, de Fabritiis a entregara, em 1638, para os frades capuchinos de Manoppello.

Frade Remigio da Rapino recortou o contorno do véu e fixou-o entre duas vidraças emolduradas com madeira de castanheiro - o vidro e moldura que ainda podem ser vistos hoje.

Muitos afirmam que o véu em Manoppello é uma simples pintura. Mas a imagem não tem as características de qualquer pintor, escola artística ou época.

Em 1977, Professor Donato Vittori da Universidade de Bari examinou o véu sob luz ultravioleta e acha que as fibras não possuem qualquer tipo de coloração.

Observando-se o véu sob um microscópio, está claro que não é pintado e nem mesmo tecido com fibras coloridas. Por alta tecnologia fotográfica (amplificações digitais) é possível ver que a imagem seja idêntica em ambos os lados do véu - um feito impossível de se alcançar através de técnicas antigas..

Pesquisas científicas levadas a cabo recentemente mostram que a imagem na Mortalha Santa de Turim e a imagem que aparece no véu em Manoppello são de tamanhos idênticos e superpostáveis com a única diferença de que na relíquia de Manoppello boca e olhos estão abertos.

A pesquisa desenvolvida pelo Padre Enrico Sammarco e pela Monja Blandina Paschalis de Schomer mostra que as dimensões da face no Santo Sudário são iguais às do véu de Manoppello.
Comparando as duas imagens, comentam, está claro que a face é a mesma, "fotografada" em dois momentos diferentes.

Para buscar mais evidência para suas teorias, Pfeiffer levou a cabo um estudo sistemático das principais obras de arte que representam o Véu de Verônica antes do modelo imposto pelo Papa Paulo V. Ele achou que vários detalhes - o corte de cabelo, o sangue evidente, a forma da face, as características da barba e as dobras do pano - refletem um único modelo: a imagem em Manoppello***.

"Quando os diferentes detalhes são unidos em uma única imagem, significa que esta imagem deveria ter sido modelo para todas as outras," Pfeiffer argumenta. "Assim, podemos dizer que o véu de Manoppello em nada é diferente do Véu de Verônica original".

Para os cristãos, no caso do Véu de Verónica - assim como no caso do Sudário de Turim - acreditar ou não acreditar em sua autenticidade não são uma questão de fé****.

* Críticos argumentam até mesmo se o nome de Verónica não trai a ficção pois deriva dos nomes em latim e grego vera e ikon e significa "verdadeira imagem". Ela se tornou a santa protetora dos fotógrafos. Embora a história do véu seja bem conhecida - apareceu em cenas nos filmes "A Maior História Jamais Contada" e "Jesus de Nazaré" - não aparece na Bíblia. A maioria dos peritos acredita que foi inventada para explicar a relíquia.

** Segundo uma teoria, o Vaticano teria feito passar cópias do Véu pelo original para evitar desapontar os peregrinos e nunca explicara o desaparecimento.

*** Semelhanças notáveis eram claras: as faces são de mesmo contorno, ambos têm cabelo longo e um topete na frente, e a partida de barbas. Pistas da lenda do Véu recuam para o século IV, mas só na Idade Média foi ligado mais fortemente ao Cristo agonizante.

**** Testes científicos poderiam derramar uma luz adicional às origens do véu, mas estes poderiam destruir consideravelmente o pequeno e frágil pano sem necessariamente resolver o mistério. Um furioso debate ainda cerca a origem da Mortalha de Turim, por exemplo, embora os testes com carbono-14 em 1988 datassem-no entre 1260 e 1390. Hoje, o teste de 1988 do carbono-14 sobre o Sudário é considerado desacreditado devido às muitas falhas, vindas posteriormente à tona, durante a execução dos procedimentos de pesquisa.

A Relíquia Mais Venerada da Idade MédiaEntrevista exclusiva de Nicola De Gregorio com Pe.Heinrich Pfeiffer, professor da Universidade Gregoriana Pontifical do Vaticano

"La Veronica", um véu quase transparente com o suposto retrato da face de Cristo, era a imagem mais venerada da Idade Média. Os peregrinos iam a Roma, acima de tudo, a fim de contemplar esta relíquia. As descrições que fazem os historiadores antigos correspondem perfeitamente com as características da Santa Face de Manoppello. "La Veronica" chegou a Roma do Oriente. Sabe-se que o Véu Sagrado tinha estado até o ano de 705 em Constantinopla, e antes, ainda, em Camúlia e Edessa. O imperador tinha deixado-a transferir de Edessa para Constantinopla a fim de ser usada como bandeira de seu exército e mostrar que só ele era o verdadeiro vigário de Cristo, pois possuía a verdadeira imagem d'Ele.

Pe.Heinrich Pfeiffer é um dos professores mais respeitados da Universidade Pontifical Gregoriana. Suas teses revolucionárias sobre a Face de Manoppello, que estão num livro, editado até o momento apenas em alemão, criaram certos disacordos com alguns "colegas", mas ele se diz seguro de estar no caminho certo e o entusiasmo pelas novas descobertas o fazem irrelevar qualquer palavra negativa.

N.G.: Você descobriu que a Santa Face de Manoppello não seria senão o Véu de Verônica, o objeto sagrado mais venerado da antigüidade, roubado de Roma em 1600. Além do que as imagens da Santa Face e do Sudário coincidiriam perfeitamente. Padre, como o senhor chegou à conclusão de que a Face de Manoppello é a mesma relíquia roubada nos anos 1600 em Roma, chamada "La Veronica"?
P.H.P.: Comecei a me interessar sobre Manoppello quando uma freira alemã tentou me mostrar que a face do Santo Sudário e a de Manoppello ajustavam-se perfeitamente. Isto, sem ter visto, de facto, o Véu. Quando subseqüentemente fui capaz de ir, pela primeira vez a Manoppello, em 1988, vi este véu e senti algo como um choque. Depois de o ter observado atentamente um forte pensamento me veio: este deve ser o original de Verónica!

N.G.: Como o senhor teve sua confirmação?
P.H.P.: Comecei fazendo pesquisas de todo tipo, particularmente as de iconografia. Eu também tento desenvolver uma releitura com uma visão mais crítica nos principais documentos relacionados ao pano do véu da Santa Face e como este surgiu em Manoppello. Então, quando se confronta este estudo com uma visão crítica dos documentos tudo se converge para uma única conclusão: o véu guardado no Santuário deste país em Abruzzo é o mesmo que foi roubado da Basílica de São Pedro em Roma no século XVII, conhecido, então, como "La Veronica" e do qual se tinha perdido as pistas completamente. A chegada a Manoppello deveria ser após 1608.

N.G.: Mas a reconstrução histórica relacionada à Santa Face demonstra que o véu já se encontrava em Manoppello em 1506, um século antes do roubo de "La Veronica" em Roma. Isto pareceria excluir a hipótese de que seriam a mesma relíquia.
P.H.P.: A explicação é simples: aquela data da chegada a Manoppello não pode ser verdadeira. É bastante evidente que os capuchinos em 1600 a falsificaram para salvarem a relíquia ou salvar aquele que a havia levado embora "com violência", como contam as crónicas daquela época em São Pedro. Se estes tivessem falado teriam sido forçados a devolvê-la a Roma e o autor do roubo teria sido perseguido e condenado à morte com certeza. É verdade que a história da Santa Face de Manoppello começa oficialmente em 1506, mas é fruto de uma relação histórica feita por Padre Donato da Bomba. É evidente que a preocupação principal de então era esconder o roubo o quanto possível também criando uma lenda que viesse a beneficiar Manoppello. Diz-se que a relíquia tinha sido preservada numa casa particular mas não há nenhuma prova disto.

N.G.: De acordo, mas quais são as provas que deram a certeza ao senhor de se ter, finalmente, descoberto o véu de Verónica?
P.H.P.: As provas estão lá e são impressionantes. Realmente, a Face de Manoppello coincide perfeitamente com a Mortalha Sagrada de Turim. Se somadas, as duas imagens da face são exatamente aquela. Se se estuda a fundo, chegamos à conclusão de que esta não é uma pintura e que a figura que aparece não deriva nem mesmo de uma tecelagem, o quão exclusiva possa ter sido; Até hoje não foi possível se esclarecer como a Face foi impressa no pano e a mesma coisa vale para o Sudário. No mundo, porém, não existe nenhum outro pano semelhante. E mais: todas as cópias de "La Veronica" que recuam para épocas anteriores a 1600, quando o roubo aconteceu, correspondem às características da face do pano de Manoppello. Detalhes como as dobras, o contorno da boca, que está aberta, os olhos também abertos, enquanto se estavam sendo representados geralmente fechados. Resumindo, todas as particularidades remontam à figura da Santa Face de onde, evidentemente, foram inspiradas. O argumento é que quando se têm muitas cópias que correspondem a um modelo, mas não entre si, nos força a concluir que todos vêm daquele determinado modelo: em nosso caso o modelo é justamente o "La Veronica"-Santa Face.

N.G.: Como nunca ninguém havia percebido a coincidência entre a Santa Face e o "La Veronica"?
P.H.P.: É muito simples: nenhum pesquisador de História da Arte tinha motivos para ir a Manoppello de facto. Assim como também outros santuários de Manoppello não têm particularidades em suas características arquitetônicas para servirem de objeto de estudo de História da Arte. Certamente havia o véu para se ver, mas em todos estes anos em que permanecera escondido, não era considerado importante para fins artísticos. Nenhum estudioso, porventura, se interessaria de modo mais aprofundado.

N.G.: Graças a uma freira e ao senhor, padre, é descoberto aquele que é um dos objectos de culto mais importantes no mundo?
P.H.P.: O mais importante junto com o Sudário. Penso que este é um tesouro extraordinário, absolutamente único no mundo. Na antigüidade "La Veronica", de fato, era o objeto mais aspirado por todos os peregrinos que vinham a Roma durante os séculos.

NOTA: O Vaticano nunca confirmou nem opinou - e, muito provavelmente, nunca o fará - sobre a autenticidade de quaisquer relíquias sagradas, já que seria um ato pouco cauteloso e por não constituirem dogmas de fé. Entretanto, a veneração a estes objetos sempre foi tolerada e permitida através dos séculos, pois representa uma manifestação popular espontânea de homenagem a Cristo por parte dos fiéis.

NOTA 2: As festas religiosas sobre o a Santa Face - ou Véu de Verônica - em Manoppello correspondem ao terceiro domingo de maio, com uma longa procissão, e a 6 de agosto, dia quando a Igreja universal contempla a transfiguração do Senhor.
publicado por Admin às 22:14
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